2008-05-25

Compromissos

Após uma noitada, aterradas no sofá, diz-me a J.:
- Pensei que, depois de uma pessoa decidir que o que quer nesta fase da vida é sexo sem compromisso, as coisas se tornavam mais fáceis.
Bad e a sua douta sabedoria das tantas da manhã...:
- Pois, mas tu não chegas a querer sexo sem compromisso. Porque ainda tens um compromisso com os teus padrões de qualidade.

(Isto significa que o gajo feio com medalhas de tropa ao pescoço que a abordou com frases tão interessantes como: "Eu sou solteiro forever!" ou: "Gosto de viver sozinho com a minha cadela. Só eu e a minha menina!" chumba redondamente... não?)

Não me lixem


O gajo conhece-me há dez minutos, vira-se para mim e diz:
- A *** (amiga comum) diz-me que não tens namorado. O que é que se passa com os homens do Porto?
Eu estava com uma neura que dava para chegar daqui à Lua. Olho para ele com faíscas no olhar, e pergunto-lhe:
- Como assim?
Ele entalou-se. Não devia estar à espera daquela reacção.
- Como assim, como?
- Como assim, porque é que dizes isso? Conheces-me há cinco minutos. Trocamos duas frases, uma delas foi "Boa tarde" e tu culpas todos os homens de uma região por eu não ter namorado. Já te ocorreu que eu não faça assim tanta questão? Ou que a culpa é minha e não deles?
- Bem, não era preciso ficares ofendida. Só estava a meter conversa.
- Para a próxima, tenta "Quanto a mim, hoje ainda chove..."

É que eu juro que não entendo. Ainda vão a algum lado com estas frases de engate de almanaque de utilidades dos anos setenta? As mulheres serão assim tão fáceis que os homens já não se esforçam? Os homens acharão que as mulheres são assim tão fáceis que já não pensam fazer um pequeno esforço? São eles que são básicos, ou só estas frases pré-feitas? Alguém cai nisto? Existe algum cantinho noutro planeta onde haja espaço para mim? Ou, neandertal por neandertal, prefiro a abordagem da foto. É mais directa. E acaba por adormecer o cérebro na mesma.

2008-05-20

Quando não sabemos o que dizer


Vi isto algures num filme ou num episódio de uma série. Não me lembro onde, mas não é original meu.

Alguém tinha morrido, e uma das pessoas pergunta a outra:
- Já falaste com a ***?
- Não. Ainda não. Não sei o que dizer nestas situações.
- Então, liga-lhe e diz-lhe que não sabes o que dizer nestas situações.

Porque não é suposto termos um livro cheio de palavras mágicas que nos indicam a coisa certa para dizer nas alturas erradas. Mas também não é suposto ficarmos calados só porque não sabemos o que dizer. Por isso guardei este diálogo para memória futura.

Odeio aquela porcaria!

Imagem daqui

Nunca tive uma boa relação com despertadores. Desde os que voam sozinhos quando tocam, aos que aparecem todos partidinhos sem razão aparente, há de tudo nesta casa. Mas hoje... hoje a raiva foi substituída pelo ódio. Acordar-me a meio daquele sonho fantástico que eu estava a ter não é justo. É que não é mesmo. Foi um daqueles sonhos em que o toque era mesmo toque, o beijo era mesmo beijo, uma simples brisa era mesmo uma brisa... e aquele cabrão daquele bip-bip-bip veio estragar tudo!... não é justo!!!!!!!!!!




" Well I will keep calling you to see
If you're sleeping, are you dreaming?
If you're dreaming, are you dreaming of me?"
Blue October - Calling You

Nunca foi tão fácil…



A história do amigo da amiga, relatada pelo próprio:

“Uma destas noites, estava eu no Bar X com uns amigos. À sétima caipiroska olhei para a miúda do Bar e vi a mulher da minha vida. Comentei com os meus amigos que ela era linda. Eles encolheram os ombros. Achavam-na normal. Mas eu não. Tinha a certeza que ela era mesmo a mulher da minha vida. Tanto que, apesar de ser envergonhado e não conseguir meter conversa com as mulheres que me interessam, tive de me levantar e ir falar com ela. Perguntei-lhe se ía sair naquela noite. Disse que sim, que ía à ****. Fiquei lá até às 8 da manhã. Ela nunca apareceu. Passei a semana a pensar nela. Tinha de voltar a vê-la. Afinal, era a mulher da minha vida. Voltei ao Bar na semana seguinte. Sem caipiroskas, deparei-me com a realidade ali, a frio... Afinal, os olhos verdes profundos eram castanhos, e o cabelo negro intenso era da cor dos olhos. Continuava boa. Mas bastou uma semana para ela já não ser a mulher da minha vida.”
A história não carece de substantivos, adjectivos ou verborreia da minha parte.
A história carece de uma moral.E eu agora não posso pensar numa. Vou rapidamente ali para um Bar que eu conheço beber sete caipiroskas e encontrar o homem da minha vida. E quero lá saber do “morning after”! Aliás, eu (que não bebo) ao fim de sete caipiroskas… já é de celebrar se houver uma “after party”!

2008-05-19

Tudo aos bunkers!

- Quando estás muito bem disposta, e te pões com aqueles disparates, parece que tens para aí 15 anos...
- Humm... E quando estou mal disposta?
- Parece que tens aí uns 60.
- Dizes isso por eu estar com a neura?
- Sim.
- Parece-te que tenho 60 anos, hoje?
- Não... hoje parece que tens 98. E que estás com uma crise de reumático.

2008-05-18

Time after time

Gosto de Matchbox 20. Desde antes do velho "Bent", que me deixava em lágrimas, sem qualquer explicação. Gosto do original da Cyndi Lauper, mas não posso deixar de gostar deste "Time after Time" na voz de Rob Thomas.
E porque hoje, energias e "fé" renovadas, preciso de voltar a ouvir esta música, e me apetece partilhá-la...

E depois...

... quando já escrevemos dois livros, mais de 1.500 posts, muitos sms, e alguns recados em post-its, resta-nos a saída óbvia: escrever um guião. Manias! Até acho que, para começar, não está mal. Deve dar para uma curta-metragem. Mas a minha realidade é tão inverosímil... que nem a ficção consegue ser suficiente!...

A pedido dos leitores...

... este post é sobre bola. O Porto perdeu o jogo de hoje e por isso deixou de ganhar a Taça de Portugal. Na hora exacta em que os 90 minutos regulamentares de jogo estavam a decorrer eu estava a fazer uma coisa que, se vos contasse, vocês iam lá querer saber deste meu discurso da equipa que perde... durante o prolongamento estava bem instalada nos sofás do BB Gourmet a tomar um chá Fauchon e uns scones quase óptimos... Já disse antes mas vocês não acreditam: eu tenho melhor perder do que ganhar!

2008-05-16

Zona de conforto

Um destes dias fiquei lá em casa do meu irmão a tomar conta da minha sobrinha. Foi no mesmo dia que lhe dei um pirilampo, e ela lá andava toda contente com o novo bicho. Contei-lhe uma história, deitei-a, dei-lhe um beijo, e ela pediu:
- Oh tia, o pirilampo pode ficar ali em cima para eu ver a luzinha dele?
- Sim.
Lá deixei eu o bicho a iluminar o quarto (para quem conhece o dito "animal" aquilo tem uma ponta luminosa mais pequena que a pinta do "i") e saí para a sala.
Passada mais ou menos uma hora, ouço-a chamar:
- Tia! Oh tia...
- Diz, *****.
- Tiras dali o pirilampo? Está-me a incomodar.
Olhei para o pirilampo. Olhei para o tecto do quarto, cheio de estrelas e ursos fluorescentes. Sorri. Meti o pirilampo na gaveta, e ela lá dormiu.

Somos mesmo parecidas. Não adianta ninguém nos tentar impôr a sua "luz", por muito pequena que seja. Se incomoda, não há nada a fazer...

2008-05-15

Olvidarte

Não é quando te excluo do Messenger. Nem quando apago o teu número da memória do meu telemóvel. Nem sequer é quando identifico o teu endereço de e-mail como spam. É quando já não preciso fazer nenhuma dessas coisas. É quando não acordo, pela primeira vez em muitas semanas, a pensar em ti. Nem que seja por estar a pensar, em vez disso: “Fod@-se, estou atrasada!”

É hoje!

Campanha GALP Energia

Se costumam ler este blog, sabem que eu me estou, basicamente, nas tintas para a Selecção. Não me puxa. Há gente que não vota, há gente que não recicla, há gente que lava o carro no meio de uma seca, e até há gente que entope a faixa do meio das auto-estradas. Acho isso errado. Por isso não me choca que hajam pessoas que achem errado o facto de eu não querer saber da Selecção. Não é querer que percam. Mas não fico histérica se ganham. Não é torcer para o Nuno Gomes falhar uma grande penalidade ou para o Ricardo deixar entrar um frango. É, francamente, não me importar nem um pouco. Não me aquece nem me arrefece, não perco o sono nem durmo melhor.
Depois há os anúncios protagonizados por futebolistas. Patacoadas escritas por um qualquer criativo que nunca se lembra que a má dicção e a falta de jeito para a representação dos senhores artistas da bola torna a coisa tão complicada para quem está a ver que, às vezes, só se entende lá para a enésima nona vez que aquela coisa a que chamam anúncio passa na televisão.
Mas devo admitir que gosto deste anúncio. Que até junta a selecção com a interpretação dramática (adoro a expressão!) de alguns futebolistas. Clean. Simple. Straight to the point, com as analogias necessárias para convencer esta céptica. E, afinal, está tudo à frente dos olhos de quem o fez: usam futebolistas mas não os põe a falar. Escolhem os mais expressivos (e eu até nem gosto por aí fora do Simãozinho) e apelam ao sentimento de união nacional. Parece-me bem. gosto da ideia. Da concepção. Mas não contem comigo para empurrar o autocarro. Primeiro porque ando sem forcinha nenhuma nos braços. Depois porque lá dentro vão o Ricardo, o Nuno Gomes, o Postiga e o gajo que escolheu os “mininos”. E com essas merdas eu não compactuo. So sorry.

2008-05-14

Money, money...

Há uns tempos atrás o meu amigo C. e eu discutíamos esta coisa dos anonimatos nos vencedores do Euromilhões. Ele dizia que era prudente as pessoas manterem o anonimato para prevenir sequestros de familiares e amigos:
- Imagina que te saía o Euromilhões e alguém me raptava. Tu pagavas?
Se hesitar, imaginando o meu melhor amigo nas mãos de uns raptores cheios de más intenções, respondo de imediato:
- Claro que sim.
Ele mostrou-se em choque. E a única coisa que conseguiu dizer foi:
- Foste demasiado rápida. Essa certeza toda deixou-me preocupado...
****
Ontem o Stusssy (que casa no Sábado) levantou-se da mesa de almoço e disse que ia fazer o Euromilhões. E eu perguntei:
- Se te saísse o Euromilhões na Sexta, casavas na mesma no Sábado?
É certo que foram apenas uns cinco segundos. Mas ele parou para pensar antes de dizer "sim"...
Certezas diferentes? Tempos diferentes? Prioridades diferentes?
Sei lá. Só sei que aquela hesitação me cheirou... a hesitação.

200.000? Dá quase 4 Estádios do Dragão, carago!!!


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Ao deparar-se com isto, a gaja mercenária que vive dentro de mim, pensou logo: “Eh, pá! Não me importava nada de ganhar € 1,00 por cada visita.”
Depois veio a outra gaja. Que não será propriamente conhecida pelo seu bom feitio (a mercenária deu entrada no Hospital por volta das 15h00), mas certamente tem uma visão diferente das coisas. Por isso agradece. As visitas, os comentários, os links, os prémios e tudo aquilo que está além do que aqui se vê.
Esta sou eu.
Com mais ou menos exageros. Às vezes “Drama Queen”, outras vezes “Simplesmente Maria”. Na maior parte delas, “Tão posh que até irrita!”. Com alguns altos. Com muitos baixos. Com muita prosa. Alguns clichés. Muitas teorias e opiniões. Sobre tudo. Sobre todos. Com poucas papas na língua e ainda menos calos nos dedos. Eu estou aqui. E no meio dos 200.000, quem está?

2008-05-13

Eu não devo ser deste planeta...


Os factos que vão ler a seguir aconteceram mesmo. Não foram inventados, não foram exagerados e nem sequer foram manipulados. Os factos que vão ler a seguir não têm qualquer comentário a suportá-los. Não precisam. A realidade já é suficientemente rebuscada e grave para eu ter de usar a minha criatividade...
Tenho feito por vender alguns pirilampos lá pelo Burgo, e a coisa não deixa de ser, no mínimo, surpreendente.
Já vi todo o tipo de respostas, das quais marco algumas:
- O quê? Dois euros? Por isso? Vão mas é roubar para outro sítio!
De uma das pessoas mais bem pagas do Burgo:
- Não, não quero nada dessas coisas, se fosse a dar para tudo, ganhava para essa gente!
E, as cerejas no topo do bolo (é um bolo do caraças, está cheio de cerejas), vem daqueles que têm filhos, e muitos deles pequenos:
- Isso é dos deficientes, não é? Não vou dar isso ao meu filho.

E pronto. Sejam muito bem vindos a esta pequena amostra do País que temos. Gosto muito de cá estar. Tenho é pena que algumas pessoas também cá estejam...

(ainda assim já vendi cerca de 30...)

Vida em low cost


Aqui há uns tempos contaram-me que a Ryanair recebeu uma carta de reclamação de um passageiro com variadas razões que determinavam aquele como um passageiro extremamente insatisfeito. Ao que me lembro era a higiene, a pontualidade, a falta de apoio (não me lembro se no ar, se em terra, ou ambos) e mais uma série de coisas. À extensa carta de reclamação o Departamento responsável por gerir estas coisas dentro da companhia lowcost deu uma resposta curta: “Devia ter voado na British Airways!”.
Este foi um episódio contado em forma de relato por um dos maiores cérebros de Gestão Aeroportuária que trabalha no nosso País, pelo que não me permito duvidar. Aliás, uma breve busca na internet com as palavras “Ryanair + complaint” dá para ter uma ideia.
Ora e o que é a vida, senão uma viagem?
O que nos faz pensar que temos o direito a serviços dignos de uma “Fly Emirates”? Pagamos o bilhete que nos permite fazer check-in numa companhia aerea de topo? Fizemos alguma coisa para merecer um inesperado upgrade? E quem tem medo de voar? Fica limitado a fazer apenas pequenas jornadas?
Não deixa de ser curioso o facto de eu tentar fazer esta analogia, apesar de apreciar pouco o período que passo dentro de um avião. Na maior parte dos casos, durmo. Não como, não falo com os(as) comissários(as), não faço compras a bordo, nem me apercebo do que se passa à minha volta. Mas, sempre que posso escolher (o que significa, na maior parte das vezes, que o Burgo paga as minhas viagens), fujo apressadamente de toda e qualquer lowcost. Não confio. Não me parece bem. E nas companhias de bandeira? Corre-me sempre tudo bem? Não. Já me perderam mais vezes as bagagens do que aquelas que consigo enumerar, já me alterquei com uma comissária de bordo, e até já exasperei com os gritos das criancinhas dentro dos "meus" aviões. Então, o que me dá esta impressão? Eu não consigo escolher quem vai viajar comigo. Eu não controlo as coisas que acontecem em volta. Na maior parte das vezes pouco me importam essas pessoas e essas coisas. Estou a dormir. O destino é o mesmo, e lá chegarão todos os voos. Lowcost ou não. Às pessoas que continuam a preferir companhias de bandeira, perguntou-se o que as levava a pagar mais por aquele que é, no fundo, um produto final igual. A resposta? Simples: confiança. Por muitas vezes que essa confiança seja traída, por muitas vezes que o resultado final fique aquém das nossas expectativas. Continua-se a preferir a percepção de serviço, de segurança, de conforto, do que a possibilidade dos mesmos. Da mesma forma que, apesar de o destino final ser o mesmo, não me chega saber que lá vou chegar. Importa-me (e muito) saber como.

Relendo o texto não tenho a certeza de que esta seja uma analogia perfeitamente conseguida. Mas faz sentido na minha cabeça. E, por ora, basta-me.


** No Burgo não dá jeito pôr imagens nos posts. So sorry.**

2008-05-12

Uma coisa é certa...

... enquanto eu não perceber exactamente porque é que a minha conta de internet deste mês ostenta a bela soma de € 242,37 e como é que eu vou pagá-la (quanto é que vale um rim, hoje em dia?), é possível que este blog não tenha as actualizações a que vos tenho habituado. Se precisarem de mim, estarei ali à porta da igreja a vender pirilampos mágicos a € 4,00. Eu sei que o assunto é sério. Tanto o dos pirilampos como o da continha... Mas o que podemos fazer? Já sei, LP, always look at the bright side of life... Tara... tara, tara, tara...

Pensamento do dia

E é no exacto momento que tomas algo como garantido, que esse algo já te fugiu por entre os dedos...

Massagem

Depois de algumas conversas com alguns amigos e amigas percebi que não é muito raro os homens terem demonstrações físicas de "satisfação" ao estarem a ser alvo de uma massagem. Agora a questão é para as meninas: vocês também têm pensamentos libidinosos aquando de uma massagem (ainda a massagem deste fim-de-semana a causar-me dúvidas existenciais)? O "também" é, claro está, para se juntarem a mim, e não aos meninos acima referidos, que eu não faço ideia no que é que eles pensam enquanto a sua anatomia ganha forma...

J. - Afinal quem te mandava as sms anónimas?

BG - Oh, tal como eu previa... era o *****.
J. - Que falta de interesse!
BG - Podes crer. Só me sai disto. Se eu não quero, o Universo dá...
J. - Nem me fales! Até parece que somos o EcoPonto do Universo!

2008-05-11

Denial

A chave para sobreviver a quase toda a monotonia do dia-a-dia é, para mim, a negação. Nego a fadiga, nego o pavor de falhar, nego o stress, nego a pressão, nego a tua ausência, nego a vontade que tenho de ser, simplesmente, a melhor. Elisabeth Kübler-Ross definiu cinco estágios pelos quais as pessoas passam para lidar com a perda, o luto e a tragédia. A vida anda a tal velocidade e com uma intensidade tão louca que eu assumo estes estágios para o meu dia-a-dia. Não que ela seja uma tragédia. Às vezes está, até, mais para a comédia. Mas, onde é que eu ia? Ah.. na negação. A fase número um da Dr.a Kübler-Ross. As outras (bem fáceis de identificar para quem vê séries médicas) são a raiva, a negociação, a depressão e a aceitação. Pensando bem nisto, as minhas fases saltam loucamente do nada para a depressão (bendita bipolaridade!) ou estagnam na negação. Não me lembro de ter negociado vez nenhuma. Se calhar fi-lo subconscientemente. A aceitação é que não me cheira mesmo. Tenho de analisar um grau de consciência diferente. Talvez "baixar" até à inconsciência. Bem me parecia que toda a actividade mental que tenho quando durmo não é só para sonhar...

Nesta coisa da negação acho curioso aquilo que eu nego com mais veemência: o facto de estar, efectivamente, em negação. Vejo apenas o que quero ver. Acredito apenas naquilo que quero acreditar. Durante uns tempos funciona. Esse hiato deve levar-me directa à depressão. Nego tanto e com tanta força que tomo como verdade a minha versão da negação. A versão que tenho construída na minha cabeça não muda, é estanque, é rígida, é a minha verdade. E essa é a única que reconheço quando olho nos olhos das outras verdades. E até um dia, deixo de reconhecer a verdade em si. Corro meia maratona, uma maratona, o que for preciso, com ela a perseguir-me e eu a fugir dela. Até à altura em que tenho apenas um muro à frente e já não tenho força nem coragem para o saltar. Fico hesitante em olhar para a verdade, que é a única alternativa entre mim e o muro. Volto-me com cuidado, e dou de caras com ela, furiosa, ávida por confrontar-me. Não posso fugir dela, que está ali à minha frente. Mas fugir dela, negar, não muda a verdade.

"Learn to get in touch with the silence within yourself and know that everything in this life has a purpose." - Elisabeth Kübler-Ross (1926/2004). Mais aqui.

Diz "closure"

Aqui há uns tempos fui convidada para ir a uma entrevista no maior concorrente do burgo. Sem qualquer tipo de compromisso lá fui, e a dita entrevista correu bastante bem. Uns dias depois ligaram-me a dizer que lamentavelmente, e apesar de eu ser a melhor candidata (??!!??) ao lugar, não tinham dinheiro para me pagar. Claro que este "não terem dinheiro para me pagar" tem a ver com aquela parte que eu odeio fazer que é insistirem para saber quanto é que eu acho que devo ganhar. Aquilo que eu MEREÇO eu sei. Aquilo que acho que eles PODEM pagar eu também sei. Nunca sei exactamente quantificar o que DEVO ganhar (pondo num prato da balança o que mereço e no outro o contexto social e económico do País) e tendo sempre a "pedir" mais próximo do que mereço do que o que acho que eles podem pagar.
Mas adiante... eles não tinham dinheiro para me pagar, e por isso contrataram uma miúda acabadinha de sair do curso, que pouco percebe da poda. Uma pessoa normal ficaria magoada (ofendida) com isto. Eu fiquei melindrada.
Uma pessoa normal esqueceria o assunto por se sentir preterida. Eu não. Eu achei que aquilo ainda ia dar algum gozo para o meu lado. Um destes dias falei com uma amiga que tenho nesse burgo que não é o meu, que me falou da lamentável prestação da pobre miúda, que não sabe para onde se virar e, quando se vira é, normalmente, para o lado errado. Não pude deixar de sentir alguma satisfação. Um destes dias, quando encontrei o senhor entrevistador que tinha pouco budget para mim, não pude deixar de lhe perguntar como estavam a correr as coisas. Ao "mais ou menos" dele, lá tive eu de meter a minha colherada e dizer-lhe: "Pois é, o barato sai caro...". Um cliché fantástico para me trazer o closure que precisava.

O pénis no lugar do tabuleiro...

Parece que durante o dia de ontem (ou antes, sei lá bem) a minha foto de um tabuleiro de xadrez neste post foi substituída por um pénis de razoáveis proporções. Ao Tiago Bettencourt, que é o autor das palavras (e não o dono do pénis que por ai andou durante umas horas, ou uns dias, sei lá bem...) que aparecem no post, as minhas desculpas. Pelo sim, pelo não, dei uma de Lorena Bobbit e cortei o mal pela raiz. Foto substituída, explicação dada. É que não tenho nada contra pénis, ou fotos eróticas. Mas este não era um desses casos.
A Gerência agradece.

2008-05-09

Há aqui qualquer coisa que não bate certo...

Chego.
Sou levada para uma divisão fechada.
Dispo-me.
Vou ter com ele.
Está escuro.
As velas estão acesas.
O ambiente é cuidado. Cheira bem.
Deito-me de barriga para baixo, no chão.
Ele descalça-se.
Põe-me óleos.
"Caminha" sobre mim.
[...]
Passamos mais de uma hora nisto...

E EU, AINDA POR CIMA, PAGO??????????????????????

Básico, mas básico


Depois de mais de um ano a mandar-me mensagens anónimas e a ligar-me só para ouvir a minha voz rouca e sensual, o gajo meteu finalmente a pata na poça. Pelos vistos (eu devo ser muito boa nestas coisas, tendo em conta que só descobri isto hoje...) para a mensagem ficar anónima, é necessário escrever *#conf#, seguído da mensagem. Ora hoje (não há crimes perfeitos...) o suspeito do costume lá se enganou e (ao que me parece) esqueceu-se de pôr o asterisco. E eu recebi uma mensagem, de um número perfeitamente identificado, que dizia: "#conf# Admite: já sentias a minha falta."
Pensei responder.
Pensei ignorar.
Pensei responder.
Decidi ignorar.
Repensei.
E mandei-lhe uma mensagem a dizer:
"Não, não sentia. É que nem para mandares uma treta de uma mensagem anónima serves..."

Acredito que agora o meu telemóvel vai ter paz. Pelo menos até ele encontrar outra forma tão (ou mais) interessante de me aborrecer.

Já compraram?

Há cerca de 50 anos atrás, quando o irmão da minha mãe nasceu, não havia ecografias que diziam às mães que os filhos iam nascer com deficiências. Há cinquenta anos, quando o meu tio nasceu, ninguém sabia o que fazer com uma criança deficiente. Há cinquenta anos atrás, quando a minha avó procurou uma solução para formar o meu tio, a minha bisavó, matriarca da família, achou que inscrevê-lo num sistema de semi-internato era marginalizá-lo. E lá ficou o meu tio "guardado" em casa, com os cuidados extremosos de uma avó, uma mãe e uma irmã. Ao fim de 45 anos o "miúdo" (como a minha avó ainda o vê), tornou-se incomportável, tendo em conta o estado de saúde dela. E toda uma equipa de profissionais dedicados ficou de braços abertos para o receber, cuidar dele, dar-lhe o apoio que ele já não conseguía ter em casa e todo o carinho a que estava habituado. Ali encontrou uma família de afectos. Lamentavelmente, e ao contrário do meu tio, que recebe visitas todas as semanas, por vezes mais do que uma vez na mesma, há crianças, jovens e adultos que foram completamente esquecidos por aqueles que são a sua família de sangue e contam apenas com a incansável família da CERCI. Por essas e por outras razões, deixo hoje a maldade de lado e dedico este post ao simpático Pirilampo Mágico. Custa só € 2,00. Vale muito.
Mais informações aqui.

2008-05-08

Espaço no meio

Entre o dia que decidi que já não te queria e o dia em que efectivamente vou deixar de te querer há-de caber uma vida. A minha.

Cheque mate!


Mais um dia em vão no jogo em que ninguém ganhou
Dá mais cartas, baixa a luz e vem esquecer o amor
És tu quem quer
Sou eu quem não quer ver que o tudo é tão maior
Aqui está frio demais para apostar em mim.

Vê que a noite pode ser tão pouco como nós
Neste quarto o tempo é medo e o medo faz-nos sós
És tu quem quer
Mas eu só sei ver que o tempo já passou e eu fugi
Que aqui está frio demais para me sentir... mas queres
ficar?

Queres levar
Tudo o que é meu

É tudo o que eu

Não sei largar


Vem rasgar o escuro desta chuva que sujou!
Vem que a água vai lavar o que me dói!
Vem que nem o último a cair vai perder.

Tiago Bettencourt
"O Jogo"

2008-05-07

Apenas uma palavra

Para descrever uma decisão. Que foi a do dia de hoje. Que podia ter sido a da semana passada. Ou a de há um mês. Que estava como uma marioneta, presa por finos fios, que se emaranharam tanto e tantas vezes que deixaram de conseguir ter forças para segurar no "puppet". Hoje desisti.

desistir
verbo transitivo
renunciar a; abrir mão de;

verbo intransitivo
não querer continuar

renunciar;
abster-se;

(Do lat. desistère, «desistir»)







2008-05-05

Já dizia o outro*...

... o chique não se aprende, sai naturalmente.

Chique, mas chique, é acordarmos e vermos a cara da nossa visita (vá, desenganem-se, era a J.) quando nos diz:
- Falaste imenso durante a noite.
- Pois, é normal, eu falo a dormir. O que é que eu disse?
- Não sei. Só sei que foi em francês.

Cui-da-do que eu não brinco em serviço. Sonhar em francês, não estando emigrada, é do mais chique que se pode conseguir.

* não sei quem é o "outro", por isso não perguntem...

2008-05-04

O japonês da moda...


Nunca fui de encarneirar para frequentar sítios da moda. Se se fala muito bem de algum sítio eu vou para ver. Se gosto mesmo de ir a algum lado passo lá a vida, esteja ou não na moda. Irritam-me as pessoas que dizem que gostam de uma coisa só porque é suposto. Li uma vez um estudo que dizia que muitas das pessoas (não sei a percentagem) que dizem apreciar determinados bens de luxo nunca os experimentaram. Desconfio de quem diz que gosta de caviar. Eu odeio e não sei se todas as pessoas que dizem apreciá-lo já o experimentaram. O que é o Don Perignon ao pé de uma garrafa de Cristal, ou Evian perto de Voss? Mas adiante, o post não é exactamente sobre isso. É sobre uma menina que veio de Vigo passar o fim-de-semana ao Porto e, à proposta de irmos a um restaurante japonês, quis ir ao único que ainda não tinha experimentado... Expliquei-lhe que já lá tinha estado, que não gostei, mas ao argumento "Apanhaste um dia mau, tens de lá ir outra vez!...", eu cedi. E lá fui eu dar outra oportunidade a um restaurante do qual não guardava as melhores recordações, e que ainda por cima está enfiado num menos um lá para os lados da Boavista.
A coisa começou muito bem, logo quando nos trouxeram os aperitivos: umas tirinhas de pepino embebidas sei lá no quê e mais... tchanam: cabeças de camarão fritas! Uma maravilha ao paladar, que isto aqui não se brinca, meus senhores. Nada se perde, nada se cria, tudo se aproveita. Por momentos achei que seria a Filipa Vacondeus a chef de tão especial restaurante. À falta de paprika arrumei para canto a ideia. O sushi estava razoável, mas eu consigo enumerar pelo menos três restaurantes onde a qualidade do sushi é, no mínimo, duplamente melhor. Adiante, que isto não fica por aqui. Para a degustação de tepanyaki pudemos contar com iguarias tão nipónicas como uma bela salada de alface e tomate. O tomate era cereja, o que lhe confere um ar mais asiático. E depois, o que veio a seguir? A carne! A carne de vitela barrosã (criada nos verdes pastos de Tóquio). Saborosa. Tenra. Crua. Não, não era mal passado. Aquilo chegou ao ponto de nós conseguirmos jurar ouvir a carne que estava na travessa fazer "Muuuuu!". Claro que o choque de ter uma franja nova no cabelo, e a animação para a noite não me davam o mau feitio necessário para reclamar. Igual a mim mesma nestas coisas, decidi fazer o que me é mais habitual: paguei, sorri, e jurei que não volto. E nem recomendo.

Bad gets a new look


Um hair designer com carta livre para fazer o que quiser. O revivalismo dos anos sessenta a pairar no ar. Bad com bom feitio. Entrou ela própria, saiu Audrey Hepburn, a caminho da Tiffany's para o Pequeno-almoço. Ainda não sei se gosto. Ainda me vejo com estranheza ao espelho. A verdade é que perdi uns anos. Pareço uma miúda. Falta definir que tipo de miúda...

2008-04-30

O ar que respiras...

Foto daqui

Se há pessoas que não valem o ar que respiram não sei. Mas tenho a certeza que há pessoas que não valem sequer o ar que que eu expiro.

2008-04-29

Rita Hayworth


É como ela que eu me sinto de cada vez que apresento o meu ego (considerando que a Bad Girl é o meu alter ego) a pessoas que só me conhecem do Blog. É raro, não acontece com muita gente, nem sequer muitas vezes. Mesmo assim, de cada vez que acontece, é esta sensação que eu tenho:

"They go to bed with Gilda, they wake up with me."

Os assuntos de alcova são aplicados no sentido figurado.

Eu devo mesmo ter a mania...

Adoro! E não entendo como é que há gente que acha que a água é toda igual...

2008-04-27

Gosto de ti, tipo adoro-te... percebes?

Isto de se ser uma rapariga má, que vai a todas e só aleija os outros nem sempre tem tanta graça como parece.
Isto de se ter de ter boa cara quando a vida anda uma merda, só porque se é mais forte que as adversidades nem sempre tem piada.
Isto de nos rirmos desalmadamente das coisas que nos acontecem, encontrando nelas alguma ironia quase cinematográfica não é tão divertido como à primeira vista pode parecer.
Esta coisa de não nos mandarmos de cabeça à gata paraquedista quando encontramos uma janela pela qual queremos mesmo mesmo mesmo saltar... é uma put@ de uma forma de cobardia inenarrável.
Sim, é verdade, eu vou a todas, eu rio-me das minhas desgraças, eu chuto para canto quem não interessa, e de preferência com um sapato bicudo bem espetado numa das nádegas do sujeito ou da sujeita, e até me mando de cabeça e sem pára-quedas por aquelas janelas que me interessam mais ou menos.
E quando me aparece uma janela fantástica? Aquela que pode ser a janela pela qual esperamos saltar toda a vida? Aquela que, se não houver nada para amparar a queda lá em baixo, what a fuck, não há-de ser assim tão complicado lamber as feridas e seguir... E quando essa janela é uma daquelas janelas que está entreaberta e anda para trás e para a frente, com o vento, e nós não sabemos se vamos conseguir saltar ou se vamos espetar os vidros da janela na nossa bela cara, tão pouco habituada a levar com janelas violentamente lançadas na sua direcção? E se, mesmo assim, tivermos a certeza que aquele é o salto que queremos dar? Que o que está para além daquela janela é um destino que imaginamos tão fantástico e cheio de coisas tão boas, que mesmo que uma perna venha a ficar partida, não há qualquer problema? E o que é que esta gata faz, perante esse cenário? Fica ao pé da janela, a apreciá-la, a ameaçar que "agora é que é, vai ser mesmo desta que eu vou saltar... espera... não... salto daqui a um bocado..." e a sentir a suave brisa que vem do lado de fora, que vai fazendo a janela ora abrir-se agora, ora fechar-se depois. Fica sentada a olhar lá para fora, a sentir o suave toque do cortinado a roçar-lhe nos bigodes, a pensar "que bom que é, se eu ao menos conseguisse chegar lá fora...". E depois, quando nada o fazia prever, a janela abre um bocadinho mais. Ainda não suficiente para a gata passar toda por lá, mas o bastante para ela poder esticar uma pata e fazer o resto do serviço. E o que é que ela faz? Eriça o pelo, sai em sua defesa, sem que tenha havido um ataque. Fala de outras janelas, de outras cortinas e de outras brisas que já conheceu, ou que existem naquela casa. Lembra-se de outras quedas, mais ou menos marcantes. Desconversa. Faz piadas. Não deixa que levem a sério aquele desejo de saltar por aquela janela.

Diz "gosto de ti" mil vezes mas não enfatiza. Não diz que é um "gosto de ti" de "adoro-te, e queria saltar pela tua janela". Nãããã... muito arriscado... Muito arriscado. E pensa duas vezes antes de acusar o excesso de trabalho como único culpado de ter escrito este post? Pensa. Porque assumir que tem sentimentos está mal...

2008-04-25

La vendetta

Diz quem me conhece que eu não sou uma pessoa fácil de assoar. Estes termos populares que teimam em usar para me descrever, tirando as conotações menos higiénicas que possam ter, não me preocupam muito.